sábado, 25 de outubro de 2008

A propósito

Ser contestador, desaforado e malandro é barbada, o difícil é ser "certinho". Sei que um monte de gente idolatra Bukowski e Keruac, ou gente que se comporta da mesma forma. Eles são os velhos da chamada geração "beatnik" dos anos 70, os caras de woodstock e que são modêlos daquilo que é políticamente incorreto. 

Leia o que eles escreveram e descobrirá que não falam nada sério, de cada dez palavras que proferem cinco são palavrões. Contestam aquilo que chamam de "sociedade burguesa ou de consumo" - que os criou e que os sustenta! - e vivem exclusivamente para os sentidos. Assumem, enfim, a filosofia do hedonismo puro: ou o prazer ou nada feito!

Não sou nenhum bastião da tradição família e propriedade, só não gosto de quem assume uma atitude de só criticar quem fez ou faz, enquanto usa tudo aquilo que foi feito por essa mesma gente que fez ou faz. São contra o consumo e... consomem!

Ser um "careta", trabalhar, sustentar e manter unida uma família, pode não transformar ninguém em "moderno", muito menos em celebridade. Ser mais um na multidão que cumpre com as suas obrigações é que é ser um verdadeiro herói. Acreditem, ser malandro é fácil...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Visões

"Nossa saúde é quase perfeita" - Luiz Inácio da Silva. Talvez o problema esteja na definição do que seja perfeição. Vejamos: perfeição, do Lat. s. f., acabamento; execução completa; conclusão; bondade ou excelência em elevado grau; pureza; formosura, beleza; primor; mestria; requinte (http://www.priberam.pt/dlpo/).

Se vovô viu a uva, Vossa Excelência diz que viu excelência na saúde.

Você diria que o nosso sistema de saúde é "excelente em elevado grau"? Ou seria ele "um primor"? Talvez seja nessa acepção que o nosso excelso presidente tenha querido se referir ao nosso Sistema Único de Saúde. Confesso que não consigo ver no SUS essa excelência que Vossa Excelência afirma que consegue ver. Talvez seja por miopia minha. Preciso urgente de um oculista!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Vovô Viu a Uva

E era uva da boa, de casta e refinada, tinha nome e sobrenome a danada da mulata. Passava todos os dias na frente do velho Mané, que ficava só lembrando dos tempos em que ainda conhecia o que era uma mulher. De vestidinho curtinho, que mal tapava o mais valioso dos raios de sol, desfilava com um tal rebolado, um gingado que até provocava maresia, fazia mal. O velho foi se assanhando pros lados da bela dita, que nos tempos de hoje em dia, tem viagra e cialis, essas drogas mais que benditas. Primeiro a seguia com os olhos, depois foi acompanhando com a ponta da língua, e logo foi levantando pra seguir de perto, passo-a-passo, aquele filé. Ela continuava no seu gingado mareado, sandalhinha de salto com um passo de quem tá acostumada. Saber por saber, sabia, que o velho assanhado, querer por querer, queria, um bom bocado do seu bocado. Se fosse por justiça, deveria ser enquadrada nessa premissa, que torturar um velho pode até não ser crime odioso, mai do que maldade com o pobre do idoso.